As novas tecnologias que estão revolucionando o setor de energia limpa

Ícone - Sebrae

Quando falamos em novas tecnologias que estão transformando o setor de energia no Brasil, é natural que a primeira associação seja com a energia solar e eólica. O país possui uma matriz energética predominantemente renovável, aproveitando seus recursos naturais de forma estratégica e sustentável para gerar energia limpa.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em 2024, cerca de 84% da matriz elétrica brasileira é formada por fontes renováveis. Dentre elas, a hidrelétrica representa 55%, seguida pela eólica (14,8%) e pela biomassa (8,4%). Já entre as fontes não renováveis, o gás natural responde por 9%, o petróleo por 4% e o carvão mineral por 1,75%.

Essa combinação é sustentada pela abundância de água, vento e sol, que alimentam as hidrelétricas, usinas eólicas, painéis solares e plantas de biomassa. Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Norte lideram investimentos em energia renovável, aproveitando condições naturais favoráveis. (Absolar, 2023).

O setor energético brasileiro se prepara para crescer ainda mais, mas é justamente o avanço das fontes renováveis que abre espaço para a aplicação das novas tecnologias na geração de energia limpa.

Energia solar de alta eficiência: o caso das células de Perovskita e a relação com geração de energia limpa

As células solares de perovskita despontam como uma das maiores promessas da nova geração de energia limpa. Elas se destacam pela alta eficiência, baixo custo de produção e flexibilidade de uso.

Diferente das tradicionais células de silício, são leves, semitransparentes e podem ser aplicadas em janelas e fachadas de prédios, capazes de gerar eletricidade diretamente da luz solar. Isso abre espaço para soluções inovadoras de energia limpa em ambientes urbanos e industriais.

O grande desafio da perovskita tem sido sua durabilidade, comprometida pela umidade e pelas variações de temperatura. No entanto, pesquisas avançam rapidamente: um estudo da Universidade Federal do ABC (UFABC) mostrou que a adição de formamidínio (FA+) aumenta a estabilidade do material, preservando até 80% da eficiência após 90 dias de exposição.

Essa evolução tecnológica pode reduzir custos de produção e ampliar a viabilidade em larga escala. De acordo com o Atlas Brasileiro de Energia Solar, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Brasil recebe uma irradiação média anual de 4,5 a 6,3 kWh/m² por dia, dependendo da região, níveis muito superiores aos de países líderes no setor, como a Alemanha.

Combinando sua abundância de irradiação solar com os avanços tecnológicos recentes, o Brasil possui uma vantagem adicional para aproveitar ao máximo o potencial das células de perovskita. Essa condição única não apenas facilita a incorporação dessa tecnologia à matriz fotovoltaica, como também amplia a competitividade da energia solar no país, reforçando seu papel de liderança na transição energética.

Sistemas agrivoltaicos: integração de energia solar e agricultura

Os sistemas agrivoltaicos representam uma solução inteligente para o uso da terra, combinando a geração de eletricidade com o cultivo de alimentos. Painéis solares são instalados acima das plantações em estruturas fixas ou móveis, permitindo que a luz seja aproveitada tanto pelas plantas quanto pelos módulos fotovoltaicos.

Além de otimizar o espaço, esse modelo possibilita o cultivo de frutas, legumes e hortaliças sob os painéis, adaptando-se a diferentes tipos de culturas. O resultado é duplo: aumento da produção agrícola e geração de energia limpa no mesmo terreno. Para um país com forte vocação agrícola como o Brasil, trata-se de uma tecnologia estratégica.

Energia eólica offshore no Brasil: uma nova fronteira energética

A energia eólica offshore vem sendo apontada como “a nova energia hidrelétrica do Brasil”. Embora hoje a geração hidrelétrica responde por cerca de 72% da eletricidade nacional, projeções indicam que sua capacidade líquida não deve ter uma expansão significativa nos próximos 25 anos. 

Para preencher essa lacuna e garantir segurança no suprimento elétrico, a eólica offshore surge como alternativa estratégica, ao lado da solar e da eólica onshore.

Segundo o estudo Cenários para o Desenvolvimento de Eólica Offshore no Brasil, do Banco Mundial, essa fonte tem um caráter especial de complementaridade em relação à hídrica, já que apresenta comportamento contracíclico em termos sazonais e menor variabilidade interanual.

Isso significa que, em períodos de estiagem e baixa geração hidrelétrica, os ventos no mar tendem a se intensificar, ajudando a equilibrar a matriz energética. 

Além de ampliar a capacidade de geração, a energia eólica offshore traz benefícios adicionais, como maior estabilidade dos ventos em alto-mar, possibilidade de instalação de grandes parques próximos aos centros de consumo no litoral e contribuição decisiva para a descarbonização da economia.

Em 10 de janeiro de 2025, entrou em vigor a Lei nº 15.097/2025, que regulamenta a instalação de parques eólicos offshore no Brasil, estabelecendo diretrizes para o uso de bens da União em ambiente marinho. Atualmente, diversos projetos estão em processo de licenciamento, reforçando o papel dessa fonte como peça-chave da transição energética brasileira.

Hidrogênio verde: o combustível do futuro

O hidrogênio verde é apontado como uma das soluções mais promissoras da transição energética global. Ele é produzido por meio da eletrólise da água, utilizando energia proveniente de fontes renováveis, como solar, eólica ou biomassa, para separar as moléculas em hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂), sem gerar emissões de gases de efeito estufa.

Sua principal vantagem está na capacidade de armazenar energia limpa de forma eficiente, contribuindo para superar o desafio da intermitência do sol e do vento. Além disso, pode ser aplicado em setores de alta demanda energética, como o transporte pesado, indústrias e geração elétrica, sempre com pegada de carbono praticamente nula.

No Brasil, o tema vem ganhando cada vez mais destaque. No Fórum Brasileiro de Líderes de Energia 2024, o estado do Rio Grande do Norte apresentou avanços em projetos de hidrogênio verde e defendeu a necessidade de regulamentação para atrair novos investimentos.

Em paralelo, o Governo Federal estabeleceu metas no âmbito do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), com foco na criação e consolidação de hubs desse recurso até 2035, fortalecendo a base para que o país se torne um protagonista nessa área.

Armazenamento de energia: garantindo o suprimento quando mais precisamos

Com o crescimento das fontes renováveis, torna-se essencial garantir energia mesmo em momentos de baixa produção. O armazenamento energético é, portanto, peça fundamental da segurança elétrica.

O hidrogênio verde se apresenta como uma das soluções mais promissoras nesse campo. Diferente de baterias convencionais, ele pode ser estocado em grandes volumes e transportado para regiões sem infraestrutura elétrica robusta. Isso amplia a confiabilidade do sistema e fortalece a independência energética.

O próximo capítulo da matriz brasileira

As tecnologias apresentadas demonstram que a transição energética é uma realidade em construção. Do avanço das células solares de perovskita à aplicação dos sistemas agrivoltaicos, passando pela energia eólica offshore, pelo hidrogênio verde e pelas soluções de armazenamento e digitalização, cada inovação amplia a capacidade do Brasil de diversificar sua matriz e torná-la mais resiliente.

A combinação entre abundância de recursos naturais, políticas públicas de incentivo e investimentos em pesquisa e desenvolvimento cria um cenário favorável para que o país não apenas acompanhe, mas lidere essa transformação.

Mais do que garantir segurança energética, trata-se de posicionar o Brasil como referência global em soluções sustentáveis, alinhando crescimento econômico, inovação tecnológica e compromisso com a descarbonização e geração de energia limpa.

imagem do autor

Escrito por:

Diego Mendonça

Frame - Sebrae icone
botao flutuante faq