Como elaborar um projeto fotovoltaico: etapas, documentos e aprovação na distribuidora
03/11/26
Elaborar um projeto fotovoltaico que a distribuidora aprove sem idas e vindas exige mais do que dimensionar módulos e inversores. Em dezembro de 2023, a ANEEL informou que 12% dos pedidos de conexão de micro e minigeração em estoque aguardavam nova solicitação depois de uma vistoria reprovada.
Esse dado ajuda a entender por que a organização do processo pesa tanto no resultado do integrador. Cada vistoria reprovada atrasa a conexão do cliente e consome horas da sua equipe.
Neste guia, você vê como montar o projeto, quais documentos reunir e como funciona a aprovação na distribuidora, com os prazos previstos na regulamentação da ANEEL.
O que é um projeto fotovoltaico e quando a distribuidora precisa aprová-lo?
O projeto fotovoltaico é o conjunto de estudos, desenhos e documentos que define como o sistema será instalado e conectado à rede. Ele reúne dimensionamento, diagrama unifilar, memorial descritivo e responsabilidade técnica de um profissional habilitado.
Todo sistema conectado à rede passa por análise. A solicitação de acesso e o parecer da distribuidora são etapas obrigatórias para que a usina seja enquadrada como micro ou minigeração distribuída.
Segundo a cartilha da Cosern, distribuidora do Rio Grande do Norte, a microgeração tem potência instalada de até 75 kW. A minigeração vai de 75 kW até 5 MW para fontes despacháveis e até 3 MW para as não despacháveis, caso da solar.
A potência instalada corresponde à menor soma entre módulos e inversores. Um sistema com 30 kWp em módulos e um inversor de 20 kW, por exemplo, conta como microgeração de 20 kW.
Quais são as etapas para elaborar um projeto fotovoltaico?
O processo segue uma sequência lógica, e pular uma etapa costuma gerar retrabalho na análise da distribuidora. Veja como organizar cada fase.
Levantamento de consumo e das condições do local
Comece pela fatura de energia dos últimos 12 meses, que mostra consumo, tarifa, classe e padrão de entrada. Depois, visite o local para medir a área útil do telhado ou do solo, conferir a orientação e identificar sombras de árvores e construções.
Verifique também a potência disponibilizada da unidade consumidora. Se ela não comporta o sistema, o cliente precisa pedir aumento de carga à distribuidora antes da solicitação de acesso, e isso pode exigir obra na rede.
Dimensionamento do sistema
O dimensionamento cruza o consumo médio mensal com a irradiação solar da região e a eficiência dos equipamentos. O resultado define a quantidade de módulos e a potência do inversor.
Nessa fase, escolha a modalidade de compensação: geração na própria unidade, autoconsumo remoto, geração compartilhada ou empreendimento de múltiplas unidades consumidoras. A escolha define a lista de rateio dos créditos, que segue junto com o pedido.
Inclua no cálculo de retorno a cobrança escalonada do Fio B. Para projetos com solicitação de acesso a partir de janeiro de 2023, a parcela cobrada sobre a energia compensada chega a 60% em 2026.
Projeto elétrico e documentação técnica
Com o sistema definido, elabore o diagrama unifilar, o memorial descritivo e o projeto das proteções de corrente contínua e de corrente alternada. A ART ou TRT formaliza a responsabilidade do engenheiro ou do técnico pelo projeto e pela execução.
Use os modelos publicados no portal da distribuidora. A Lei 14.300/2022 prevê formulário padronizado da ANEEL e determina que a distribuidora não peça documentos além dos indicados nesses formulários.
Quais documentos a distribuidora pede na solicitação de acesso?
No Rio Grande do Norte, o pedido segue pelo portal de geração distribuída da Cosern, que pertence ao grupo Neoenergia. A cartilha da Neoenergia lista como documentação mínima o formulário de solicitação de acesso, o memorial descritivo e o diagrama unifilar.
Completam o pacote a ART ou TRT, a lista de compensação, o documento de identificação do titular (ou procuração) e o certificado ou registro do Inmetro do inversor. Confirme a lista vigente no portal, pois as exigências podem mudar.
A distribuidora confere a compatibilidade dos dados cadastrais entre formulário, ART e sistema interno. Nome do titular, CPF ou CNPJ, endereço e classe de consumo precisam repetir o que consta na fatura.
O inversor também passa por análise. A distribuidora verifica fabricante, modelo e as normas atestadas, como as ABNT NBR 16149 e 16150. Informe no cadastro o e-mail e o telefone do titular da geração, porque os comunicados seguem para esses contatos.
Como funciona a aprovação do projeto na distribuidora?
Depois do protocolo no portal, a distribuidora analisa o projeto e emite o parecer de acesso, com as condições de conexão e o orçamento. Segundo a ANEEL, o prazo para microgeração é de 15 dias sem obras e 30 dias com obras na rede.
Documentação incompleta atrasa essa resposta. Por isso, revise o pacote inteiro antes do envio, de preferência com um checklist padronizado para todos os projetos da empresa.
Com o parecer em mãos, o integrador instala o sistema. O parecer tem prazo de validade, e vencê-lo obriga a refazer o pedido. Confira o período no próprio documento e alinhe o cronograma da obra com o cliente.
Concluída a instalação, solicite a vistoria no portal. Em baixa tensão, a distribuidora tem 5 dias úteis para vistoria e conexão, contra 10 dias úteis em média tensão e 15 em alta tensão.
Se a distribuidora atrasar uma etapa, o consumidor tem direito a compensação, conforme a ANEEL. Com a vistoria aprovada, a distribuidora troca o medidor por um medidor bidirecional, e o sistema entra em operação.
Por que a vistoria é reprovada e como evitar?
A vistoria compara a instalação física com o projeto aprovado. O sistema deve chegar com os equipamentos informados no projeto, sem troca de marca ou de modelo no meio do caminho.
Instale a placa de advertência “Cuidado: geração própria” no padrão de entrada, voltada para a rua, conforme o modelo da distribuidora. Deixe também livre o acesso dos técnicos à unidade geradora.
Revise as proteções do sistema. Inversores homologados pelo Inmetro interrompem a geração quando a rede é desligada, o que protege as equipes que trabalham na manutenção.
Se a vistoria for reprovada, corrija as pendências apontadas e solicite nova vistoria no portal. Uma conferência da obra contra o projeto aprovado, feita antes do pedido, evita esse segundo ciclo.
Do projeto fotovoltaico à conexão: o que levar deste guia
Um projeto de energia solar aprovado na primeira tentativa depende de levantamento correto, dimensionamento coerente, documentação padronizada e instalação fiel ao que foi protocolado. Cada etapa reduz o risco da seguinte.
Quem trata a aprovação do projeto na distribuidora como processo, e não como burocracia, entrega mais rápido e ganha a confiança do cliente. Esse é o diferencial de uma integradora que quer crescer com solidez.
Se você quer estruturar sua empresa no setor, conheça os programas de capacitação e mentoria do Polo SEBRAE de Energias Renováveis e entre em contato para saber como o Polo apoia integradores e novos empreendedores da energia solar no RN.
Veja também
19/06/26
Nova NR-10: o que muda a partir de 2027 e como isso afeta sua empresa de energia solar
Em 1º de junho de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Portaria MTE nº 737/2026 e reescreveu […]
Leia mais
09/06/26
Armazenamento de energia no Brasil: o que muda com a Lei nº 15.269/2025 e a nova regulação da ANEEL
Em junho de 2026, a ANEEL aprovou, na 11ª Reunião Pública Ordinária, o marco regulatório definitivo para os Sistemas de […]
Leia mais
08/06/26
Energia solar fotovoltaica em 2026: o que o mercado chinês revela sobre o futuro do setor no Brasil
O Brasil caminha para encerrar o ano com 75,9 GW de capacidade de energia solar fotovoltaica em 2026 instalada, segundo […]
Leia mais