Os recursos energéticos distribuídos como uma solução para a resiliência das redes

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Os estudos que embasaram a Consulta Pública nº 29/2026, o Relatório de AIR nº 3/2026-STD e a Nota Técnica nº 93/2026-STD, trazem diagnósticos econômicos e operacionais que confirmam os recursos energéticos distribuídos como uma solução para a resiliência das redes.

O que o debate da ANEEL revelou sobre custos e resiliência

A estruturação de custos detalhada no debate promovido pela ANEEL sobre a resiliência das redes e mudanças climáticas, impactando diretamente o futuro do mercado de geração distribuída de energia solar e o ritmo de adoção de novas tecnologias no Brasil, mostrou que alternativas que hoje tem se estabelecido cada vez mais como soluções de eficiência energética e alternativas operacionais, podem servir também para redução do impacto financeiro nas redes de médio e longo prazo.

A avaliação conduzida pela ANEEL evidenciou que direcionar volumes expressivos de capital para obras civis rígidas, como a instalação de dutos e cabeamentos subterrâneos, imobilizaria recursos que poderiam ser mais bem empregados no financiamento de soluções tecnológicas mais modernas.

BESS, microrredes e usinas virtuais como alternativa

Nesse contexto, os Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS), a estruturação de microrredes e a operação de usinas virtuais emergem como opções capazes de assegurar a estabilidade e a resiliência do sistema com custos significativamente inferiores.

Essas inovações oferecem dinamismo à rede, evitando que o setor elétrico seja sobrecarregado com o pagamento prolongado por uma infraestrutura física que corre o risco de se tornar obsoleta no médio prazo.

O caminho viável para instaladores e consumidores solares

Para os pequenos instaladores e consumidores que investem em energia solar, a transição para padrões de rede como as estruturas aéreas compactas ou multiplexadas se apresenta como um caminho viável.

Esse padrão intermediário de infraestrutura exige um custo entre 5% e 70% maior do que a rede convencional, mantendo a viabilidade financeira para os negócios do setor.

Quando aliada a sistemas de controle remoto e à integração de baterias, pautas também presentes no aprimoramento do Módulo 3 do PRODIST, discutidas em paralelo na Consulta Pública nº 33/2026, essa infraestrutura intermediária fornece a capacidade operacional necessária para gerenciar o fluxo bidirecional de energia gerado de forma descentralizada.

Essa articulação entre a adoção controlada de melhorias físicas na rede e a inserção de recursos energéticos distribuídos promove a modernização do sistema, evitando aumentos tarifários que poderiam sufocar o consumidor e impedir a contínua expansão do mercado solar nacional.

Como essa pauta se encaixa no quebra-cabeça regulatório

Esse movimento faz parte de um quebra-cabeça regulatório mais amplo, como temos evidenciado em nossas últimas resenhas.

Ele se alinha às deliberações que resultaram na recém-publicada Resolução Normativa nº 1.137/2025, fruto da Tomada de Subsídios nº 02/2024 e da Consulta Pública nº 32/2024.

A resolução recente lidou com o gerenciamento de crises de curto prazo, estabelecendo planos de contingência, regras para poda de árvores, empréstimo de equipes entre distribuidoras, transparência via sistema Radar e regras de compensação aos consumidores.

A Consulta Pública nº 29/2026 olha para o longo prazo e para o custo pesado das obras físicas de infraestrutura. A pauta ainda dialoga com a revisão dos indicadores de qualidade das concessionárias para evitar que apagões graves sejam excluídos indevidamente das estatísticas oficiais.

Quanto custa enterrar a rede elétrica no Brasil

O debate no contexto da consulta pública reconhece que enterrar os fios garante proteção contra ventos fortes e quedas de árvores, mas por outro lado revela um abismo de viabilidade.

O custo de instalação de um sistema subterrâneo no Brasil supera entre 4,86 e 10,08 vezes o valor de uma rede aérea comum.

O maior entrave financeiro recai sobre as obras civis, como a escavação e a reconstrução de pavimentos urbanos, que consomem até 85% do investimento. Se uma distribuidora decidisse enterrar toda a sua fiação, precisaria aplicar de 45 a 316 vezes o seu orçamento anual de infraestrutura apenas nessa empreitada.

A manutenção subterrânea também sai mais cara

Ao contrário do que costuma circular no senso comum, a manutenção dessa estrutura debaixo da terra também se mostrou mais cara no cenário nacional.

O trabalho exige equipes altamente especializadas operando em ambientes confinados, o que prolonga o tempo de reparo técnico.

A infraestrutura subterrânea ainda perde utilidade em casos de inundações graves, como as registradas no Rio Grande do Sul, onde a água bloqueou o acesso físico às galerias.

A agência utilizou estudos internacionais, a exemplo do levantamento do Departamento de Serviços Públicos de Nova York, para ilustrar que enterrar toda a rede resultaria em perdas de bem-estar social na ordem de US$ 261 bilhões e em aumentos tarifários que poderiam dobrar a conta de luz no longo prazo.

O impacto na tarifa e quem paga a conta

A decisão de evitar mudanças construtivas drásticas visa proteger o orçamento das famílias e das empresas. A TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) é dividida entre todos os usuários de uma mesma área de concessão.

Se obras de alto valor fossem exigidas, moradores de regiões rurais ou periféricas acabariam pagando faturas mais caras para subsidiar o enterramento de fios em áreas nobres, gerando um desequilíbrio econômico.

A pesquisa de satisfação da agência aponta que o valor da tarifa é o ponto de maior insatisfação do público, com nota baixa de 32,83 pontos, o que pressiona o regulador a frear novos custos sistêmicos.

A regra permanece inalterada e transparente (artigo 110 da REN nº 1.000/2021): se um município ou grupo de investidores desejar a rede subterrânea por questões estéticas, deve assumir o financiamento do projeto.

Por que os REDs são a alocação mais eficiente de recursos

Com isso, a ANEEL notou que investir massivamente em concreto e dutos fixos engessaria o capital que pode ser aplicado em sistemas de armazenamento por baterias (BESS), usinas virtuais e microrredes.

Essas inovações resolvem problemas de estabilidade e resiliência de forma muito mais barata e dinâmica, evitando que o setor pague por décadas por uma infraestrutura civil que pode se tornar obsoleta.

A avaliação da agência é de que aterrar, portanto, tem um custo maior em comparação com as redes aéreas, além do que se observa no incentivo regulatório para os REDs como uma solução mais interessante pela sua operabilidade, menor custo, cuja alocação de recurso é mais eficiente.

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Escrito por:

Polo Sebrae

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