BESS: o que são sistemas de armazenamento de energia e quando eles valem a pena

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Em 2025, o Brasil desperdiçou 20% da geração solar por falta de capacidade da rede para absorver toda a energia produzida nos horários de pico. Esse fenômeno, chamado de curtailment, é um dos motivos que colocaram o armazenamento de energia no centro das discussões do setor elétrico.

Os sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems), ou sistemas de armazenamento de energia em baterias, existem justamente para resolver esse tipo de gargalo. Para o empreendedor de energia solar, eólica ou biogás, entender como essa tecnologia funciona e quando ela compensa financeiramente pode ser a diferença entre um projeto competitivo e um projeto que fica parado no papel.

O que são os sistemas de armazenamento de energia (BESS)?

Um sistema BESS funciona como um grande reservatório de eletricidade. Ele carrega baterias quando há excedente de geração ou energia mais barata, e devolve essa energia à rede ou ao consumidor nos momentos de maior demanda ou preço mais alto. Esse deslocamento temporal é o que torna o sistema valioso.

A tecnologia dominante hoje é a bateria de Lítio Ferro Fosfato (LFP), reconhecida pela segurança química e pela vida útil mais longa em relação a outras químicas de bateria. 

No cenário brasileiro, estima que, para o ano de 2025, o custo de investimento (CAPEX) de um sistema de armazenamento de grande porte com 4 horas de duração (SAEB) seja de R$ 1.716,18/kWh sob regime de tributação regular, patamar que pode recuar para R$ 1.692,21/kWh com a habilitação ao REIDI ou atingir R$ 1.287,54/kWh em caso de desoneração total de impostos de importação (II) e produtos industrializados (IPI). 

Existem projetos BESS autônomos, que operam de forma independente vendendo flexibilidade ao sistema elétrico, e projetos localizados, integrados de forma híbrida a centrais de geração (solar, eólica ou biogás) ou a cargas existentes. Cada modelo tem uma lógica de receita diferente, e essa escolha impacta diretamente o retorno do investimento.

Por que o armazenamento chegou a um ponto de inflexão no Brasil

Até pouco tempo, o armazenamento enfrentava uma barreira regulatória conhecida como tarifa dupla: a cobrança pelo uso da rede tanto no carregamento quanto na injeção de energia. Essa incerteza travava boa parte dos projetos, porque tornava difícil calcular o retorno financeiro com segurança.

O cenário mudou com a Lei nº 15.269/2025, que reconheceu o armazenamento como atividade estratégica do setor elétrico brasileiro e criou um marco legal próprio para a tecnologia. 

Some-se a isso a estruturação do primeiro leilão de reserva de capacidade com BESS, previsto para início de dezembro de 2026, considerado por especialistas o evento mais relevante para o setor desde a criação do PROINFA para energia eólica, em 2002.

Para o empreendedor de energias renováveis, esse movimento abre uma janela concreta: pela primeira vez existe um caminho mais previsível para transformar armazenamento em negócio, seja oferecendo serviços de flexibilidade ao sistema, seja reduzindo o curtailment de uma usina própria. 

Detalhes sobre a regulação podem ser acompanhados diretamente no site da ANEEL.

Quando o BESS vale a pena para o seu negócio?

A resposta depende de três fatores centrais: o perfil de carga do cliente ou da usina, a estrutura tarifária aplicável e a estratégia de revenue stacking, ou seja, a combinação de diferentes fontes de receita para o mesmo ativo de bateria.

Em usinas solares, o BESS costuma valer a pena quando o curtailment já representa uma perda relevante de energia gerada, ou quando o contrato de conexão impõe limites de injeção na rede. Nesses casos, a bateria armazena o excedente que seria simplesmente desperdiçado e permite vendê-lo em outro horário, com tarifa mais vantajosa.

Para empresas com consumo intenso em horário de ponta, o cálculo passa pela diferença tarifária horo-sazonal: armazenar energia mais barata e usá-la justamente quando a tarifa sobe reduz a conta de forma consistente ao longo dos meses. 

Já para pequenos empreendedores que ainda avaliam entrar nesse mercado, o ponto de partida é entender o dimensionamento correto, que vai muito além de multiplicar potência por duração.

Vale reforçar que o retorno de um projeto BESS também depende da degradação das células ao longo da vida útil e da eficiência de ida e volta do sistema, conhecida como RTE. Ignorar essas variáveis é um dos erros mais comuns entre quem está começando no setor, como explica esta análise técnica sobre dimensionamento de BESS.

O papel do Polo SEBRAE de Energias Renováveis nessa jornada

O Rio Grande do Norte reúne condições raras para quem quer empreender em armazenamento: forte geração solar e eólica, curtailment relevante em algumas regiões e um ecossistema de energia em expansão. Faltava, até pouco tempo, o conhecimento técnico e a rede de contatos para transformar essa oportunidade em negócio.

É exatamente nesse ponto que o Polo SEBRAE de Energias Renováveis atua: capacitação técnica, mentoria e acesso a um ecossistema de parceiros para empreendedores de energia solar, eólica e biogás que querem estruturar projetos sólidos, incluindo os que envolvem armazenamento de energia.

O armazenamento em baterias deixou de ser uma aposta distante e passou a ser uma oportunidade concreta para quem atua em energias renováveis no Brasil. Entender o funcionamento do BESS, acompanhar o avanço regulatório e calcular corretamente quando ele vale a pena é o primeiro passo para transformar essa tendência em resultado real.

Quer estruturar seu projeto de energia com apoio técnico especializado? Saiba mais sobre os programas do Polo SEBRAE de Energias Renováveis e dê o próximo passo no setor que mais cresce no Rio Grande do Norte.

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Escrito por:

Polo Sebrae

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