Quem tem medo do Dragão?
25/06/26
Por João Hélio Cavalcanti, diretor Técnico do Sebrae-RN
Antigamente, era muito comum usar, de forma pejorativa, a expressão “Vai pra China!”. Pois bem, fui para a China e, tendo outra oportunidade, voltarei. Recentemente, participei de uma missão promovida pelo Polo Sebrae de Energias Renováveis e pela Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar. Durante a viagem, participamos da SNEC, a maior exposição internacional de geração de energia fotovoltaica do mundo. A programação também incluiu visitas técnicas a empresas e reuniões com instituições ligadas ao desenvolvimento dos negócios de energias renováveis.
Pela relevância do Rio Grande do Norte no cenário nacional das energias renováveis, o Sistema Sebrae concedeu ao estado a missão de sediar um Polo responsável por desenvolver políticas e estratégias de apoio aos pequenos negócios, gerando conteúdo, conexões e oportunidades. Nesse contexto, realizamos essa missão, passando por Xangai e Pequim.
Fomos conferir de perto como anda esse dragão chamado China, hoje líder mundial em diversos segmentos. No setor energético, está à frente em energia solar, eólica, baterias de armazenamento, veículos elétricos, robôs e humanoides. Vale lembrar que, nas décadas de 1970 e 1980, o PIB brasileiro era semelhante ao da China e, em alguns momentos, chegou a ser superior.
Entender a ascensão econômica chinesa e seu modelo próprio, chamado por alguns de “Socialismo com características chinesas” ou “Economia Socialista de Mercado”, desperta curiosidade. Nos últimos 30 anos, o PIB do país passou de US$ 0,87 trilhão, em 1996, para US$ 18,74 trilhões, em 2024, multiplicando sua economia por 22 vezes. No mesmo período, os Estados Unidos cresceram de US$ 8,1 trilhões para US$ 29 trilhões, uma expansão de 3,6 vezes.
Mantido esse ritmo e sem mudanças drásticas na geopolítica mundial, a China deverá se tornar, em breve, a maior economia do planeta. Essa percepção não decorre apenas dos números, mas também de aspectos observados no cotidiano, como o foco no desenvolvimento coletivo, o respeito às leis, a responsabilidade e o compromisso com o crescimento nacional.
Ao vivenciar essa realidade, reforço minha convicção de que o Brasil também possui condições de transformar seu futuro. Somos um país rico em recursos naturais, com um povo criativo, acolhedor e detentor de extraordinário capital humano. Nossa história é marcada pela miscigenação, pela resiliência e pela capacidade de superação.
Diante de exemplos como o da China, acredito ser possível construir um Brasil mais inclusivo, inovador e próspero. Temos os alicerces necessários para promover um desenvolvimento sustentável e competitivo.
Em um mundo que tantas vezes prefere temer aquilo que não compreende, talvez a pergunta mais adequada ao título deste artigo seja: “O que podemos aprender com o dragão?” Afinal, esse símbolo milenar de força, sabedoria e prosperidade inspira reflexões sobre os caminhos para o futuro e, também representa muito bem, a nação brasileira.
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