Usinas híbridas: potencial para transformar a matriz energética brasileira

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Uma usina híbrida é um empreendimento de geração de energia elétrica que combina duas ou mais fontes de energia distintas (como a solar e a eólica) em uma única instalação. 

Na prática, essas tecnologias compartilham a mesma infraestrutura de conexão, como subestações e linhas de transmissão, permitindo que a produção de eletricidade seja mais constante. 

Quando uma fonte diminui sua produção, como a solar durante a noite, a outra pode compensar, aproveitando melhor os recursos naturais disponíveis no mesmo espaço geográfico.

As regras para a operação desses sistemas no Brasil foram aprovadas pela Aneel em 30 de novembro de 2021, por meio da Resolução Normativa No. 954. Este documento apresenta as definições regulatórias para as modalidades híbridas e associadas, estabelecendo como deve ser feita a outorga e a comercialização da energia. 

A resolução é um marco que permite o uso otimizado do Sistema Interligado Nacional (SIN), possibilitando que geradores utilizem de forma mais eficiente a capacidade de escoamento da rede elétrica.

Diferenças entre usinas híbridas e associadas

A principal diferença está no “contrato” e na operação. Nas usinas híbridas, o projeto é visto como uma coisa só: existe apenas uma autorização oficial para as duas fontes de energia, que funcionam como se fossem um único gerador.

Nas usinas associadas, cada fonte (como um parque eólico e uma usina solar) tem sua própria autorização independente, mas as duas decidem “rachar” o mesmo ponto de conexão com a rede elétrica.

O objetivo de ambas é evitar o desperdício. Em vez de gastar fortunas construindo novas linhas de transmissão para cada lugar, os desenvolvedores usam a mesma estrutura para fontes que se ajudam. Por exemplo, o vento que sopra forte à noite e os raios de sol durante o dia.

Experiências internacionais e tendências globais

O cenário global revela que a hibridização é uma tendência consolidada para enfrentar desafios territoriais e técnicos. Segundo estudo da EPE, a Índia é um dos países com maior interesse no setor devido à escassez de terrenos e dificuldades na expansão da rede. O país estabeleceu metas agressivas de renováveis, utilizando projetos híbridos eólico-fotovoltaicos para otimizar áreas com recursos favoráveis.

Na Austrália, pesquisas indicam que a construção conjunta de usinas fotovoltaicas e eólicas gera redução de investimento entre 3% e 13% em comparação a projetos isolados. 

A economia na operação e manutenção pode chegar a 16%, evidenciando ganhos de escala. No Reino Unido, empresas como a Vattenfall já operam parques integrados desde 2016, observando que a produção solar e eólica se complementam em base diária de forma eficiente.

Outros mercados, como o dos Estados Unidos e China, avançam na inclusão de baterias de íon-lítio nesses sistemas. Em Nevada, usinas combinam energia geotérmica com solar térmica e fotovoltaica para compensar quedas de eficiência causadas pela temperatura ambiente.

Essas experiências mostram que a união de tecnologias reduz custos e aumenta a confiabilidade do fornecimento energético.

Por que as usinas híbridas possuem potencial para transformar a matriz energética brasileira?

O potencial transformador reside na capacidade de gerar mais energia utilizando a mesma infraestrutura já instalada. Ao permitir que parques eólicos e solares operem juntos, o Brasil consegue aumentar o fator de utilização do sistema de transmissão, que hoje é um dos gargalos do setor.

 Isso significa que podemos expandir a oferta de energia limpa de forma mais rápida e com menor custo de investimento em novos cabos e torres. Mas qual é o impacto direto para o mercado de baixo carbono no Brasil? A resposta está na competitividade. 

Com a redução dos custos operacionais e a otimização dos terrenos, o preço final da energia tende a ser mais atraente, acelerando a transição energética nacional. Além disso, a hibridização reduz os impactos ambientais, já que a ocupação do solo é melhor aproveitada, evitando a abertura de novas frentes de desmatamento ou interferência em áreas preservadas.

Inovação e suporte para a nova economia

Para acompanhar essas mudanças, o Polo Sebrae: Inteligência e inovação para a nova economia de baixo carbono atua como um centro de suporte. O mercado exige que empreendedores compreendam as nuances do futuro da energia, em que a integração tecnológica é protagonista. 

O Polo oferece workshops, mentorias e recursos tecnológicos que auxiliam startups e pequenas empresas a se posicionarem nesta cadeia de suprimentos. Localizado em Natal (RN), o Polo SEBRAE de Energias Renováveis é projetado para gerar conexões entre pequenos negócios e grandes players do setor de eólica e solar. 

A missão é transformar o conhecimento técnico em negócios de sucesso, proporcionando inteligência competitiva e acesso a novos mercados.

Empreendedores que desejam atuar no setor de renováveis encontram no Polo uma estrutura completa para desenvolver soluções de alta performance. O objetivo é fortalecer a base produtiva nacional para que o Brasil lidere a economia de baixo carbono globalmente.

Se você busca entender como sua empresa pode aproveitar as oportunidades das usinas híbridas, fale com nossa equipe e receba orientação qualificada.

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Escrito por:

Diego Mendonça

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