Como os desafios trazidos pela COP 30 criam novas oportunidades para empreendedores participarem da transição energética?

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A COP 30 coloca o Brasil no centro do debate global sobre clima, descarbonização e desenvolvimento sustentável. Mais do que um evento diplomático, ela funciona como um catalisador de transformações econômicas, regulatórias e empresariais — especialmente no setor de energias renováveis. Nesse contexto, os desafios impostos pela agenda climática global abrem uma janela clara de oportunidades para os empreendedores brasileiros.


Nos últimos anos, a geração solar fotovoltaica deixou de ser um nicho tecnológico para se tornar um fenômeno econômico. O Brasil já ultrapassa 60 GW de potência solar instalada, com crescimento fortemente impulsionado pela geração distribuída, onde micro e pequenos negócios são protagonistas. Entre 2017 e 2025, a potência instalada em GD saltou de pouco mais de 1 GW para mais de 60 GW, evidenciando que a transição energética brasileira está sendo construída de baixo para cima — telhado por telhado, empresa por empresa.


Esse movimento ocorre em um ambiente mais amplo de transição energética, intensificado por compromissos internacionais como os reforçados pela COP 30: metas de descarbonização mais ambiciosas, mudanças regulatórias, avanço tecnológico, novos modelos de negócio e um consumidor cada vez mais consciente. Energia deixou de ser apenas infraestrutura. Hoje, é estratégia, competitividade e posicionamento de mercado.


Nesse cenário, o papel do empreendedor muda de patamar. Não basta mais vender e instalar sistemas. A maturidade do setor exige capacidade de gestão, leitura de risco regulatório, estruturação de equipes, profissionalização de processos e decisões baseadas em dados. O novo ciclo da transição energética favorece quem entrega valor, eficiência e confiabilidade — menos improviso, mais gestão.
A COP 30 também evidencia tensões reais do setor.

O Brasil reúne condições raras no mundo: matriz elétrica majoritariamente renovável, abundância de recursos naturais e potencial para liderar a economia verde. Mas potencial não é destino. O setor enfrenta desafios simultâneos, como:


• mudanças regulatórias frequentes e complexas;
• novos marcos legais (geração distribuída, hidrogênio verde, eólica offshore);
• pressão sobre custos e margens;
• dependência de tecnologias e insumos importados;
• gargalos de qualificação e gestão nos pequenos negócios;

Energia limpa tornou-se um ativo geoestratégico. E ativos estratégicos exigem governança, inteligência e articulação.


É nesse ponto que surgem as oportunidades para os empreendedores — e também a necessidade de suporte estruturado. Os pequenos negócios estão no centro da transição energética, mas protagonismo sem apoio vira vulnerabilidade. O empreendedor do setor já é técnico, formalizado e experiente, porém atua em um ambiente altamente regulado, sensível a decisões políticas e com margens cada vez mais apertadas. Saber instalar já não é suficiente; é preciso compreender mercado, regulação, dados, riscos e estratégia.


É exatamente para responder a esse novo contexto que o Polo Sebrae de Energias Renováveis se posiciona. Mais do que um projeto, o Polo funciona como uma engrenagem estruturante da transição energética sob a ótica dos pequenos negócios. Ele nasce para responder a uma pergunta central: quem organiza o conhecimento, as conexões e as estratégias dos empreendedores na transição energética?
Sua atuação se estrutura em três frentes integradas:


Inteligência setorial

O Polo transforma dados dispersos em leitura estratégica, acompanhando tendências, regulações, tecnologias, mercados e riscos, e traduzindo esse conhecimento em informação prática para inteligência, o setor antecipa movimentos; sem ela, apenas reage.


Governança e articulação


O setor reúne múltiplos atores — associações, reguladores, empresas, academia, sistema financeiro e governo. O desafio não é a falta de atores, mas a falta de alinhamento. O Polo atua como articulador institucional, conectando agendas e interesses, sempre com foco no fortalecimento dos pequenos negócios. Governança, aqui, é coordenação em um setor complexo e estratégico.


Portfólio de soluções e disseminação

O Polo organiza e dissemina soluções alinhadas à realidade do empreendedor: gestão, eficiência, inovação, novos modelos de negócio, acesso a mercado e competitividade. Não se trata de oferecer mais conteúdo, mas o conteúdo certo, no momento certo, com escala nacional.


Diante dos desafios intensificados pela COP 30, o Polo Sebrae de Energias Renováveis cumpre um papel claro: induz maturidade empresarial, qualifica o debate regulatório, organiza inteligência setorial e conecta estratégia, mercado e política pública. Mais do que apoiar empresas individualmente, contribui para organizar o ecossistema.


No fim, o futuro da energia não depende apenas do sol, do vento ou do hidrogênio. Depende da capacidade de transformar recursos naturais em negócios sólidos, competitivos e sustentáveis. Depende de empreendedores preparados, decisões baseadas em dados e estruturas de governança eficazes. E depende, cada vez mais, de iniciativas como o Polo Sebrae de Energias Renováveis, que compreendem que a transição energética não é apenas tecnológica, ela é econômica, empresarial e institucional.

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Escrito por:

Lorena Roosevelt

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