O novo papel do integrador diante da necessidade de soluções integradas no Setor Elétrico em 2026

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O Polo SEBRAE de Energias Renováveis participou do EVEx Brasil 2026, realizado nos dias 01 e 02 de junho em João Pessoa (PB). O evento reuniu instituições e interlocutores importantes do setor para discutir os desafios do novo mercado de energia.

Representantes do Polo e trouxeram um diagnóstico claro: as micro e pequenas empresas precisam se preparar urgentemente para a crescente sofisticação do setor elétrico. 

O mercado passa por transformações regulatórias e tecnológicas profundas que exigem novos modelos de gestão e planejamento.

Do integrador solar 1.0 ao consultor de soluções energéticas

Os crescentes cortes de geração intermitente (curtailments) e a inversão de fluxo nas redes de distribuição deixam de ser apenas problemas operacionais. Eles passam a abrir uma nova janela de oportunidade para quem estiver tecnicamente preparado.

O tradicional “integrador solar 1.0”, focado apenas na venda e instalação de placas fotovoltaicas, está diante de uma transformação inevitável. A exigência atual do mercado aponta para a evolução em direção ao “Integrador 2.0 e 3.0”: um profissional que atua como verdadeiro consultor de soluções energéticas integradas.

Para se consolidar nessa nova função, o integrador precisa dominar sistemas híbridos, microgrids, armazenamento por baterias (BESS), infraestrutura de carregamento para veículos elétricos e a inserção estratégica na tarifa horária e no mercado livre de energia.

Além disso, o avanço pleno dessas tecnologias ainda esbarra na falta de atualização das normativas técnicas das distribuidoras e na necessidade de maior clareza jurídica. Por isso, o SEBRAE tem se dedicado a promover letramento jurídico e a traduzir regulação complexa em orientações acessíveis semanais para os pequenos negócios.

Curtailment, redes inteligentes e resiliência climática: os desafios regulatórios

No plano regulatório, a urgência em estabelecer regras claras para os cortes de geração dominou as discussões. 

Agnes da Costa, diretora da ANEEL e relatora da Consulta Pública 45/2019, defendeu a aprovação imediata da norma que define os novos critérios de curtailment, reduzindo a discricionariedade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A proposta da agência prioriza o menor custo para o consumidor e organiza os empreendimentos em três blocos de corte baseados em impacto financeiro. A maior controvérsia está no bloco intermediário, onde fontes eólicas, solares e hidrelétricas competem por critérios de flexibilidade e capacidade de armazenamento.

Para atenuar os impactos imediatos, a proposta prevê um “período de sombra” de um ano, com rateio transitório segregado por fonte geradora. Sobre a geração distribuída, a ANEEL já estabeleceu o entendimento de que a geração própria pode sofrer cortes operacionais para preservar a integridade do sistema.

Agnes da Costa também alertou sobre a crise orçamentária da ANEEL: contingenciamentos fiscais têm paralisado fiscalizações de campo, serviços de ouvidoria e investimentos em tecnologia da informação. 

Para blindar a agência dessas restrições, ela defendeu a aprovação do projeto de lei complementar (PLP) em tramitação no Congresso.

Daniel Slaviero, presidente da Copel, detalhou um ciclo de R$ 20 bilhões homologado na revisão tarifária de 2026, a maior base de remuneração entre as distribuidoras do país. 

O investimento financia a automação da rede paranaense, incluindo o programa Paraná Trifásico com 25 mil quilômetros e o maior projeto de smart grids do Brasil, com monitoramento em tempo real de duas milhões de unidades consumidoras.

Slaviero classificou como “gravíssima” a expansão da geração distribuída no estado, que cresceu oito vezes acima do projetado. 

Segundo ele, o modelo de subsídios causou distorções sérias: o reajuste tarifário da Copel atingiu 20%, dos quais 13% foram causados pelo rateio dos subsídios da GD. Tecnicamente, a injeção maciça provoca fluxos reversos e oscilações de tensão que exigem instalação contínua de equalizadores e religadores automáticos.

Potência, flexibilidade e armazenamento: a busca por segurança jurídica

André Pepitone, diretor financeiro da Itaipu Binacional, explicou que o forte crescimento das fontes eólica e solar, que já respondem por 40% da potência instalada do país, trouxe o desafio da intermitência. Essas fontes entregam capacidade de realizar trabalho, mas não garantem estabilidade de tensão e frequência ao sistema por si sós.

Para enfrentar essa volatilidade, as baterias surgem como tecnologia central: absorvem energia nos momentos de sobreoferta e a reinjetam de forma estável no sistema. 

A Itaipu já implementou uma planta piloto de 1 MW solar flutuante no próprio reservatório e anunciou a integração com sistemas de armazenamento por baterias (BESS), com meta de expandir para mais de 1.000 MW em solar.

No campo regulatório do armazenamento, a advogada Fernanda de Paula, da FPA Advocacia, alertou que o Brasil está na “lanterna” da regulação de baterias, severamente atrasado em relação à Europa (2019), Chile (2021) e Argentina. Com o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) agendado para dezembro de 2026, ela cobrou a divulgação antecipada dos dados de demanda e potência a contratar.

Fernanda também criticou a decisão da ANEEL que instituiu a cobrança dupla das tarifas (TUSD e TUST) tanto na entrada quanto na saída de energia para sistemas de armazenamento no mercado livre, o que penaliza investidores nacionais frente a mercados mais competitivos, como o chinês. 

Outro ponto de atenção: o descasamento entre outorgas de 35 anos e contratos de apenas 10 a 15 anos, enquanto tecnologias como as baterias de fluxo de vanádio têm durabilidade comprovada de 30 a 50 anos.

Certificação rastreável, hidrogênio verde e atração de megacargas

Vital Neto, diretor de Inovação da CCEE, destacou o crescimento exponencial da busca por atributos ambientais auditáveis no mercado voluntário brasileiro. A plataforma CCEE Origem já registrou o sucesso do certame de emissão de certificados de energia renovável (RECs) da usina de Itaipu, abrindo nova linha de receita para a geradora.

No campo do hidrogênio de baixo carbono, a CCEE desenvolveu um esquema próprio de certificação voluntária em processo de homologação perante a Comissão Europeia, permitindo que o hidrogênio produzido no Brasil acesse o exigente mercado europeu. 

No mercado regulado, a CCEE atuará como entidade registradora oficial do Sistema Brasileiro de Certificação do Hidrogênio (SBCH2).

A entidade usará seus bancos de dados de medição de geração para cruzar informações e garantir em tempo real que o atributo de renovabilidade do hidrogênio seja rastreável e livre de dupla contagem. 

Vital Neto revelou ainda que os sistemas da CCEE já estão preparados para emitir certificados com granularidade horária e especificação locacional exata, dependendo apenas do consenso entre os agentes de mercado para implementação plena.

Robson Barbosa, secretário executivo de Energia e Transição Energética da Paraíba, anunciou uma plataforma digital inédita em parceria com a UFPB/CEAR para mapear as potencialidades do hidrogênio de baixo carbono, amônia e derivados no estado. 

O dashboard cruza dados de infraestrutura, proximidade com linhas de transmissão, logística do Porto de Cabedelo e disponibilidade de recursos hídricos.

O secretário reconheceu que o déficit nas redes de escoamento e a crise crônica de curtailment no Nordeste são gargalos severos, com cortes gerando perdas financeiras e até recuperações judiciais de geradores. 

Embora R$ 65 bilhões em novas linhas de transmissão estejam em investimento federal, ele reforçou que o armazenamento em grande escala é indispensável para atrair eólica offshore, hidrogênio verde e grandes data centers.

Thiago Prado, presidente da EPE, apresentou estudo focado no atendimento de até 4 GW em novas cargas intensivas para o Nordeste. O mapeamento projeta cenários de expansão de demanda entre 800 e 1.100 TWh na matriz nacional, impulsionados pela eletrificação da indústria, mobilidade elétrica e data centers.

A atração de megaempreendimentos de data centers de Big Techs e Inteligência Artificial está condicionada ao destravamento do marco de incentivos do “Redata” no Congresso. 

Prado também destacou avanços em tecnologias de transmissão, como VSC e SSSC, que ampliam a flexibilidade operativa da rede, reduzem custos de restrição e diminuem encargos repassados na tarifa final.

O futuro do integrador: domínio do mercado livre e tecnologias integradas

A Gasmig, representada por Welder Souza, detalhou o investimento superior a R$ 1 bilhão na construção da maior rede isolada de gasodutos da América Latina no Triângulo Mineiro. 

O projeto injetará 250 mil metros cúbicos diários de gás e biometano de resíduos agroindustriais, conectando Uberaba, Uberlândia, Araxá e Indianópolis para abastecer frotas comerciais e indústrias regionais.

Welder defendeu o conceito de uma matriz plural, com a ideia de que “o futuro não é elétrico, é eclético”. Ele demonstrou a viabilidade técnica e o menor Custo Total de Propriedade (TCO) de frotas pesadas a gás em relação ao diesel e ao freio financeiro da infraestrutura de recarga elétrica pesada.

A Gasmig, em parceria com a Cemig, estruturou um “hub de soluções” comerciais alavancado pela abertura do mercado livre de energia. 

Pelo produto Energia Livre Cemig, postos e frotistas compram eletricidade de média tensão 100% renovável com descontos de até 35%, com rastreabilidade garantida por certificados I-REC e o selo de Posto GNV Sustentável.

Para a micro e pequena escala, o hub viabiliza contratos de geração distribuída solar via Cemig SIM, reduzindo custos operacionais de forma certificada. Esse arranjo confirma: dominar as regras do mercado livre e as tecnologias integradas será o diferencial do novo integrador de energia no mercado.

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Escrito por:

Polo Sebrae

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